Integrar Geografia e Estatística no IBGE para dar conta das questões da atualidade
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Esta foi uma das principais conclusões dos palestrantes e debatedores da oficina “Clima e Meio Ambiente sob o olhar dos técnicos do IBGE”, no terceiro dia do Fórum Social Mundial. Mais de 50 pessoas do IBGE e de for a assistiram às apresentações de Manoel Lamartin, Eugênio de Lima, ambos da Digeo-Bahia, e Mauro Lambert, da Reserva Ecológica do Roncador (Distrito Federal). Em suas críticas ao esvaziamento das Geociências no IBGE, os palestrantes retomaram o pensamento original de Teixeira de Freitas – fundador do IBGE -, que via a necessidade de integrar Geografia e Estatística num mesmo órgão público, capaz de mapear o Brasil.
Manoel Lamartin centrou sua intervenção na apresentação dos efeitos devastadores das mudanças climáticas, a partir da intervenção desordenada e predatória do homem sobre a Natureza em diversos pontos do Brasil. Ele criticou duramente a falta de pessoal e de recursos que levam ao esvaziamento das Digeo e a centralização das atividades das Geociências do IBGE no Rio de Janeiro, além de mostrar que o Orçamento da DGC em 2008 não chegou a 4% de todo o empenho de recursos do IBGE. Para Lamartin o que falta no IBGE é democracia interna e diálogo com a sociedade, que cobra uma intervenção mais efetiva e integrada do IBGE nas questões do clima e do meio ambiente.
Já Eugênio de Lima se deteve nos aspectos relativos aos levantamentos que a Digeo realizou no Nordeste, comprovando a riqueza dos mananciais de água do subsolo, sobretudo na região do Rio Parnaíba, que atinge os estados do Maranhão e do Piauí. Em sua exposição, Eugênio demonstrou que todas as tentativas históricas de combater a seca não deram resultado, desde o Brasil colônia, Segundo Lima, é preciso encontrar formas de conviver com a seca, oferecendo saídas simples, mais baratas e viáveis ao sertanejo, evitando as catástrofes e migrações. Eugênio de Lima lembrou que o falecido colega Dilermando (Digeo-Bahia) foi advertido pela direção do IBGE, simplesmente porque expôs, em documento fundamentado cientificamente, sua oposição ao projeto de transposição das águas do Rio São Francisco, implementado pelo governo federal.
Mauro Lambert mais uma vez apresentou uma série de informações sobre como se dá a degradação do meio ambiente e de como ela afeta diretamente o clima, que por sua vez sofre mudanças que redundam em catástrofes, como enchentes, degelo acelerado, desertificação e secas prolongadas em diversas regiões da Terra. Para Lambert, essas manifestações da Natureza são sinais de alerta de que é preciso mudar o modelo de produção e que a humanidade terá que alterar padrões de comportamento e de consumo. Ele lembra que um estudo da ONU de 2008 demonstrou que bastaria uma semana de tudo que se gasta no Mundo com a fabricação de armas para custear todo o saneamento básico necessário ao Planeta. Mauro reiterou a posição de Lamartin e Eugênio, de que as Estatísticas e as Geociências precisam trabalhar juntas e integradas no IBGE, até para dar conta das demandas atuais da sociedade em relação ao clima e ao meio ambiente.
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