Oficina sobre o Censo 2010: geógrafo do IBGE propõe documento de alerta à sociedade
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Um debate franco e aberto sobre diversos aspectos que cercam a realização do Censo 2010. Foi o que se viu na oficina “Censo 2010: expectivas da sociedade e preocupações dos trabalhadores do IBGE”, promovida pela ASSIBGE-SN no segundo dia do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre. Cerca de 50 pessoas acompanharam as exposições de Clayton Costa da Silva (Técnico de Pesquisa do IBGE/RS) e Luis Almeida Tavares (Geógrafo do IBGE/PR), além das contribuições das convidadas Carolina Ocar e Cynthia Pok, do INDEC da Argentina. Clique no LEIA MAIS e confira como foi o debate.
Clayton, que coordena uma área de 83 municípios do Rio Grande do Sul, destacou que a tecnologia avançada aplicada ao Censo vai ajudar a retratar informações fabulosas e detalhadas. Ele defendeu que os trabalhadores vistam a camisa do Censo, sem medir esforços, mesmo quando as condições não são as desejadas e favoráveis. “Vamos ter um exército de 250 mil pessoas entrando em cada casa, cada beco, cada viela, cada rua ou edifício”, reforçou. Para Clayton a realidade brasileira precisa ser retratada, mas não podemos esquecer a que Estado servimos, que tem necessidades as quais nem sempre são as dos trabalhadores do IBGE ou da população.
Carolina Ocar e Cynthia Pok enriqueceram o debate com a experiência que estão vivendo na Argentina desde 2007, quando o governo interveio no INDEC, órgão oficial de pesquisa. Da mesma forma que no Brasil os técnicos e especialistas do INDEC não foram ouvidos pela direção do órgão para a elaboração da base opercaional do Censo deste ano. As técnicas argentinas informaram que devido à intervenção a maioria dos estatísticos do INDEC foram afastados de suas tarefas e de seus locais de trabalho. Para elas, o gasto de 80 milhões de dólares com o Censo 2010 na Argentina será desnecessário, visto que a imagem do INDEC está bastante vulnerável junto à população e seus dados podem não ser confiáveis. Elas ainda lembraram que os dados da Argentina têm influência direta nas estatísticas do Mercosul.
Luis Almeida Tavares acredita que a imagem do IBGE para os mais antigos está ligada ao Censo Demográfico e aos mapas escolares, o que mostra a importância da tarefa deste ano. Enquanto as pesquisas amostrais apresentam suas limitações, o Censo é a única pesquisa universal que levanta dados sobre saneamento básico em todos os domicílios. Por isso Tavares destaca a importância da preparação da base operacional, hoje entregue à Diretoria de Informática do IBGE. Almeida criticou a encomenda do cadastro do Censo a uma empresa a um custo de cerca de 80 milhões, o que não produziu os resultados esperados. Da mesma forma a aquisição de notebooks de quase dois quilos, o que gerou um gasto desnecessário. Criticou também a entrega da chefia de sub-áreas a temporários, além do treinamento em tempo curtíssimo para repassar conhecimentos a pessoas que não têm noção da importância do Censo.
Vários colegas de diversos estados fizeram questionamentos sobre treinamento, entrega de responsabilidades de chefia a temporários e uso de equipamentos inadequados no Censo 2010.
Luis Almeida encerrou sua participação na oficina destacando a necessidade do Sindicato divulgar um documento à sociedade, alertando sobre os problemas que a má preparação podem acarretar aos resultados do Censo 2010. Tavares reafirmou a convicção na importância dos debates e os pontos aprovados no Congresso Democrático sobre o IBGE e seus desdobramentos. “Este Censo vai custar R$ 1 bilhão e 400 mil à sociedade e possivelmente não vai retratar a realidade brasileira”, concluiu.
Já Clayton Costa não negou a existência de problemas, mas reafirmou seu otimismo quanto à necessidade de empenho de todos para a realização do Censo.
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